Payouts
Apoio do exterior: quanto você perde no câmbio até o dinheiro chegar em reais
Dez apoiadores de US$ 5 viram de R$ 199 a uns R$ 224, conforme o caminho. Taxa por taxa no Patreon, PayPal, Ko-fi e APOIA.se, e por que o IOF pesa pouco.
Por The Pennygood team · Sep 2026 · 5 min de leitura

Alguém em Portugal, nos Estados Unidos ou no Japão quer te mandar um valor todo mês. A primeira coisa que quase todo mundo pesquisa nessa hora é o IOF. E é justamente o custo que menos importa: a entrada de dinheiro do exterior paga 0,38% de IOF. Sobre R$ 200, dá R$ 0,77.
O dinheiro se perde em três outros lugares: a taxa da plataforma, a taxa fixa cobrada em cada pagamento e o spread de câmbio. Com dez apoiadores de US$ 5 — US$ 50, uns R$ 256 no câmbio comercial de 21 de setembro de 2026 —, o que cai na sua conta vai de cerca de R$ 199 a uns R$ 224, dependendo do caminho. A conta de cada um está abaixo.
Por que o meu apoio de US$ 5 chega tão menor?
Porque cada pagamento passa por um pedágio. No Patreon, páginas publicadas depois de 4 de agosto de 2025 pagam 10% de plataforma, e cada cobrança no cartão paga mais 2,9% + US$ 0,30 de processamento. Sobre US$ 5, só esses US$ 0,30 fixos já são 6%. Somando tudo, US$ 0,95 de cada US$ 5 ficam pelo caminho antes de o dinheiro sair do Patreon. Sobram US$ 4,05.

É a parte fixa que castiga valores pequenos. Um apoio de US$ 20 paga os mesmos US$ 0,30 e perde só 1,5% com eles. Se alguém de fora quer te apoiar e pode escolher, um valor mensal um pouco maior — ou um apoio anual, que o Patreon também aceita — perde bem menos no caminho do que cinco dólares cobrados doze vezes.
Sacar pelo PayPal ou direto no banco?
Para quem mora no Brasil, o Patreon guarda o saldo em dólar e converte para real na hora do saque. Na transferência bancária, que ele faz via Payoneer, cobra 1,55% + US$ 0,25 por saque, sem outra taxa de câmbio por cima. No PayPal, cobra 1% (mínimo de US$ 0,25), e aí é o PayPal que converte, a 3,5% acima da taxa de câmbio base. Nos dois casos, o mínimo para sacar é US$ 10.
Aplicado aos US$ 40,55 que sobram dos dez apoios: pelo banco chegam cerca de US$ 39,67, uns R$ 203. Pelo PayPal, uns US$ 38,74, perto de R$ 199. E tem uma pegadinha: se você deixar o saldo parado em dólar no PayPal e converter depois, a tabela do PayPal Brasil aplica 4,5% em vez de 3,5%. Converta na entrada ou saque pelo banco.
E se o apoiador pagar direto na minha conta brasileira?
Dá para tirar o Patreon do meio. O Ko-fi não cobra nada nas gorjetas avulsas e fica com 5% das mensais, e o dinheiro cai direto na sua própria conta Stripe ou PayPal. Numa conta Stripe brasileira, cada cartão estrangeiro paga 3,99% + R$ 0,39, mais 2% por ser internacional. De R$ 25,65 (os mesmos US$ 5), sobram uns R$ 22,44; os dez apoios dão cerca de R$ 224, o melhor resultado desta comparação.
Mas essa conta para antes de um detalhe: se a sua página cobra em dólar, a Stripe ainda converte para real, e a tabela de preços brasileira dela não diz quanto isso custa. O número honesto só aparece no extrato do primeiro mês.
A outra saída é uma plataforma brasileira. A APOIA.se aceita cartão de crédito internacional e cobra em reais, aqui no Brasil — nas palavras dela, como se o estrangeiro estivesse passando o cartão numa maquininha daqui. Você fica com 87% (a taxa do apoio contínuo é 13%), e a conversão sai do bolso do apoiador, no banco dele. O porém: muitos cartões estrangeiros não vêm liberados para compras internacionais, e boleto ou Pix não servem para quem se cadastrou como estrangeiro. Parte das tentativas vai falhar.

E o IOF, muda alguma coisa?
Muda pouco. O decreto do IOF, na redação dada pelo Decreto 12.499 de junho de 2025, fixa 0,38% para as demais operações de câmbio de entrada de recursos do exterior. Exportação de serviço tem alíquota zero, mas isso depende de como a instituição que faz o câmbio classifica a operação, e apoio sem contrapartida dificilmente é serviço. Em alguns canais o imposto nem aparece como linha separada. Para comparar caminhos, olhe o VET, o Valor Efetivo Total, que junta câmbio, tarifas e IOF num número só.
Onde o IOF pesa de verdade é do outro lado. Se parte de quem te apoia mora no Brasil e você usa uma plataforma que cobra em dólar, essas pessoas pagam 3,5% de IOF no cartão internacional todo mês. Para elas, Pix ou uma plataforma brasileira sai mais barato.
Então qual caminho eu escolho?
- Apoiadores quase todos lá fora: uma plataforma em dólar serve, mas saque pelo banco em vez do PayPal e saque menos vezes — a taxa de US$ 0,25 é por saque, não por apoio.
- Metade aqui, metade lá: separe. Quem está no Brasil te apoia em reais; quem está fora, pela plataforma em dólar.
- Poucos apoiadores de fora com valores pequenos: peça um valor maior ou um apoio anual. A taxa fixa por cobrança é o maior vilão.
- Antes de decidir, peça para um amigo de fora fazer um apoio de teste e confira o que caiu na conta. É a única conta que não depende de tabela.
O Pennygood é mais um caminho em dólar: o apoiador paga em dólares, a taxa é de 8% e o repasse sai em reais pelo Stripe Connect. Tem dois limites que vale saber antes: o saque mínimo é de US$ 50, então com poucos apoiadores o dinheiro espera, e quem te apoia de dentro do Brasil paga o IOF do cartão internacional.
Qualquer que seja o caminho, lembre que o dinheiro que entra do exterior também vai para a declaração do imposto de renda. E que, no fim, quem mais come o seu apoio não é o câmbio: é o número de cobranças. Cobrar menos vezes costuma render mais do que trocar de plataforma.