Payouts
Apoiador pediu chargeback: quanto custa e o que fazer
Na Stripe, cada contestação custa R$ 55, mesmo num apoio de R$ 10. Como saber se é fraude, quando contestar, e por que no Pix o risco é outro.
Por The Pennygood team · Sep 2026 · 5 min de leitura

Cinquenta e cinco reais. É isso que a Stripe no Brasil cobra por cada contestação que chega, mesmo que o apoio contestado tenha sido de R$ 10. Se você decidir se defender, são mais R$ 55, que só voltam se você ganhar.
Então, se você acabou de receber o aviso de que um apoiador abriu um chargeback, a resposta curta é: em apoio pequeno, brigar quase nunca te deixa no zero a zero. Descubra primeiro se é fraude ou uma pessoa de verdade, e gaste a maior parte da energia evitando o próximo. Conteste só quando o valor for maior que as tarifas e você tiver provas.
Quanto um chargeback me custa?
Pela tabela da Stripe Brasil, a tarifa de contestação recebida é de R$ 55,00, descontada quando a contestação abre e nunca devolvida. Se você contestar de volta, entra a tarifa de refutação, outros R$ 55,00, que você só recupera se ganhar. O valor fica retido durante todo o processo, e a decisão do banco pode levar até três meses. Num apoio de R$ 10:
- Aceitou a contestação: perdeu R$ 65.
- Contestou e perdeu: perdeu R$ 120.
- Contestou e ganhou: os R$ 10 e a segunda tarifa voltam, mas os primeiros R$ 55 não. Você continua R$ 55 no vermelho.
O PayPal tem tarifas próprias. A tabela brasileira (atualizada em 16 de julho de 2025) cobra R$ 45,00 por chargeback de cartão fora de uma conta PayPal, e R$ 35,00 de tarifa de disputa padrão quando o apoiador pagou pela conta PayPal dele.
E no Pix, existe chargeback?
Não do mesmo jeito. Pix não tem estorno por arrependimento. O que existe é o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, que serve para golpe e fraude: a pessoa tem até 80 dias para pedir, e o banco só consegue bloquear o que ainda estiver na conta de quem recebeu. Para quem recebe apoio honesto por Pix, o risco de contestação é bem menor do que no cartão.
Quem resolve, eu ou a plataforma?
- Ko-fi: o dinheiro cai direto no seu PayPal ou na sua Stripe, então o Ko-fi não é o vendedor e diz que não pode mediar. A disputa aparece na sua conta do PayPal ou da Stripe, e você responde por lá.
- Patreon: o Patreon é o vendedor e diz que responde aos chargebacks pelos criadores, admitindo que às vezes ganha e às vezes não. Os termos avisam que chargebacks podem deixar seu saldo negativo, que tarifas podem não ser devolvidas, e que o saldo negativo pode ser descontado dos próximos pagamentos.
É fraude ou alguém que se arrependeu?
São problemas diferentes. A Stripe descreve o teste de cartão: alguém com números de cartão roubados faz pagamentos pequenos para ver quais ainda funcionam, justamente porque valor baixo passa despercebido. Depois, o dono do cartão vê a cobrança e diz que é fraude. Uma página de apoio que aceita qualquer valor de qualquer pessoa é um alvo fácil. O sinal: vários pagamentos pequenos em sequência, de nomes que você não conhece e sem nenhuma mensagem.

O outro caso é gente de verdade: esqueceu, se arrependeu, ou não reconheceu o nome na fatura. A Stripe observa que muita consulta começa exatamente porque o titular não reconhece a descrição da cobrança.
Vale a pena contestar?
Se é teste de cartão, não. O dono do cartão realmente não autorizou o pagamento, então não há o que provar. Aceite e não mande mensagem para o suposto apoiador: quem vai te responder não é o dono do cartão.
Se é uma pessoa real e o valor compensa, conteste com provas: sua página dizendo que o apoio é um presente voluntário, a mensagem que ela deixou e os posts que abriu. A Stripe dá uma única chance de enviar a resposta, sem como anexar nada depois, então junte tudo antes.
Como evitar o próximo?
- Reembolse rápido quando pedirem. No Ko-fi, o reembolso integral leva poucos cliques e vale até 180 dias depois do pagamento. O próprio Ko-fi orienta o apoiador a procurar o banco se ficar uns sete dias sem resposta sua. Reembolso custa o apoio; contestação custa o apoio mais a tarifa.
- Faça a cobrança ser reconhecível. Olhe um recibo seu para ver que nome aparece na fatura do cartão e coloque isso na sua página.
- Diga com todas as letras na página que o apoio é um presente voluntário. Isso não segura o banco, mas é a primeira prova que você vai precisar.
- Fique de olho na taxa de contestação. A Stripe diz que o mercado considera excessiva uma atividade de contestação acima de 0,75%, e as ganhas também contam. Numa página pequena, uma contestação em 100 pagamentos já dá 1%, então avise sua processadora assim que notar uma rajada suspeita.
A Pennygood também cobra pela Stripe, em dólar, então um apoiador pode contestar uma cobrança da Pennygood no cartão do mesmo jeito. O que protege você é igual: reembolsar rápido quando pedirem e deixar claro que o apoio é um presente.
Um chargeback não é um julgamento do seu trabalho. Descubra de que tipo ele é, só pague tarifa que dá para recuperar, e faça pedir reembolso a você ser mais fácil do que ligar para o banco.