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O trabalho do World Wildlife Fund no Alasca começa quando alguém aponta para um mapa
Como funcionam as Arctic Community Wildlife Grants do WWF — de cerca de US$ 25 mil — e o projeto das belugas no delta do Yukon que mostrou por que dinheiro pequeno e local funciona.
Por The Pennygood team · Aug 2026 · 6 min de leitura

Numa reunião de 2022 do Alaska Beluga Whale Committee — um órgão de cogestão formado por caçadores indígenas, gestores de fauna e cientistas — os pesquisadores apresentaram suas estimativas de população de baleias beluga no mar de Bering oriental e mostraram um mapa das águas que haviam percorrido. Duncan Okitkun, um jovem caçador nativo do Alasca ali como delegado, percebeu que a área pesquisada parava antes do rio. Ele já tinha visto belugas se juntarem ali. As contagens, disse ele, provavelmente estavam deixando animais de fora no delta do Yukon.
Ele também chegou com uma solução: instalar gravadores acústicos no rio Yukon e escutar as baleias, com apoio local para levar os equipamentos até onde era preciso.
Duas estações de escuta no rio Yukon
Com uma doação do World Wildlife Fund, delegados do comitê das aldeias de Kotlik e Emmonak se juntaram a Manuel Castellote, acústico ligado à NOAA Fisheries e à Universidade de Washington. O piloto deu resultado em menos de um ano: belugas foram detectadas no verão e no outono, circulando pelo sistema do delta, e duas estações de escuta registraram sua presença. Essa evidência volta direto para a cogestão da caça de subsistência.
As belugas são alimento e também uma âncora cultural para as comunidades yup'ik do delta Yukon-Kuskokwim, e achá-las é ofício aprendido, não questão de olhar. John Unok, caçador e professor de cultura yup'ik em Kotlik, conta que leva gente ao mar e elas não veem nada onde ele vê uma baleia: é preciso treinar o olho para uma marola diferente. Um saber que se passa adiante ou se perde.

Doações de cerca de US$ 25 mil, avaliadas quatro vezes por ano
O trabalho com as belugas virou modelo. Hoje o WWF mantém um programa de Arctic Community Wildlife Grants que financia conservação, cuidado do território e pesquisa sobre ecologia costeira do Ártico e espécies prioritárias — ursos-polares, morsas, focas do gelo, belugas, baleias-da-groenlândia e aves marinhas árticas — nos mares de Bering, Chukchi e Beaufort e nas costas ao redor. As doações chegam a cerca de US$ 25 mil por projeto por ano, e os projetos devem durar aproximadamente um ano. As inscrições ficam abertas o tempo todo e são avaliadas a cada trimestre.
Um detalhe diz mais sobre o programa do que o valor. O WWF abriu a chamada igualmente a grupos comunitários, conselhos tribais, órgãos de cogestão, governos, universidades, centros de pesquisa independentes e organizações sem fins lucrativos, e refez o formulário para que nunca ter escrito um projeto não fosse um empecilho — com mais de um jeito de enviar, conforme o modo de se comunicar de cada um. Num campo em que o dinheiro costuma chegar a quem escreve como executivo de fundação, essa é uma escolha deliberada sobre quem pode ser financiado.
O resto da lista no Alasca
As doações convivem com outras frentes no estado, quase todas decorrentes de um mesmo dado: o WWF descreve um Ártico que esquenta quase quatro vezes mais rápido que o resto do planeta, com as comunidades de lá absorvendo as consequências primeiro.
- Ursos-polares: com o gelo marinho se formando mais tarde e quebrando mais cedo, os ursos passam mais tempo perto das aldeias do estreito de Bering. O WWF financia planos de dissuasão feitos com o Alaska Nannut Co-Management Council, liderado por indígenas.
- Navegação: o estreito de Bering abriga mais de um milhão de mamíferos marinhos, e o recuo do gelo abre novos canais. O WWF e o programa Arctic Watch transmitem alertas às embarcações sobre habitats críticos e limites de velocidade.
- Aves limícolas: em Paimiut e Hooper Bay, moradores combinam conhecimento indígena e radiotelemetria para acompanhar aves cujo habitat no delta Yukon-Kuskokwim está sendo corroído.
- Juventude: o WWF participa desde 2021 do programa Scientists in the School, do Sitka Sound Science Center, coordena um acampamento de aves marinhas na ilha St. Paul, apoia o Arctic Youth Ambassador program e criou em 2025 um acampamento científico na aldeia nativa de Savoonga.
- Marfim de morsa: o WWF apoiou a ARTIST Act, que protege o direito de artistas nativos do Alasca de produzir e vender artesanato autêntico de marfim de morsa. O Senado dos Estados Unidos aprovou a lei em outubro de 2025.

Cinco projetos, US$ 33.500 e um panda
Existe uma versão antiga disso tudo. O WWF foi concebido em abril de 1961 e abriu as portas em setembro daquele ano em Morges, na Suíça; a organização norte-americana foi constituída em Washington, DC, em 1º de dezembro de 1961, com Ira N. Gabrielson como primeiro presidente. O panda-gigante virou o logotipo no mesmo ano. No primeiro ano, o conselho aprovou cinco projetos somando US$ 33.500: a águia-careca, uma ave marinha do Havaí, o mergulhão-gigante da Guatemala, o ganso Tule no Canadá e o lobo-vermelho no sul dos Estados Unidos. Nasceu como um jeito de levar quantias modestas a quem já estava fazendo o trabalho.
As quantias não são mais modestas. No exercício encerrado em 30 de junho de 2025, o WWF informou US$ 395 milhões em gasto com programas, incluindo um recorde de US$ 258 milhões em programas e políticas de conservação, e afirma que 83% do que gasta vai para conservação. Doadores individuais responderam por US$ 144 milhões da receita operacional do ano; a organização contabiliza mais de um milhão de apoiadores nos Estados Unidos e tem as quatro estrelas do Charity Navigator. Diante desses números, uma doação de US$ 25 mil some. Em Kotlik, ela era o projeto inteiro.
Onde doar e onde aparecer
O WWF recebe doações diretamente em worldwildlife.org, únicas ou mensais, e publica no mesmo site o relatório anual, as demonstrações financeiras auditadas e o Formulário 990, para quem quiser ler os números antes de dar. Se o que você tem é tempo, o WWF-US mantém o Panda Ambassador program para residentes nos Estados Unidos com 18 anos ou mais: voluntários que organizam atividades locais, conversam com autoridades e empresas e puxam a parte local das campanhas do WWF. A inscrição é on-line e o WWF responde com uma ligação.
O que os projetos do Alasca têm em comum é que alguém de lá já vinha prestando atenção, e um pouco de dinheiro permitiu agir. Quase ninguém nessa situação recebe uma doação assim. É para essas pessoas que existe o Pennygood: um lugar onde uma comunidade pode dar a alguém alguns dólares por mês, de forma constante, pelo bem que essa pessoa já faz. O World Wildlife Fund não está no Pennygood e não tem página por lá — mas se você é quem sempre aparece no seu próprio canto, pode abrir a sua em pennygood.me.